sexta-feira, 28 de maio de 2010

Fragmentos de uma poesia proibida


O Beijo
Aquele primeiro beijo
Primeira troca de fluidos ácidos
Ligação assimétrica de movimentos feéricos
Que vão e vem para todo lado
De lá para cá, de cá para lá,
Algo que para tantos tornou-se coisa
Tão simples, tão banal
Para mim tornou-se algo de extrema sutileza.



(...) Trecho proibido (...)


Esse voyeurismo
Curiosidade mórbida pelos recôndidos
Influxo de um único impulso
Vive sufocando meu peito
Dentro dele tudo cabe
Mas o tudo entra e sai
Do mesmo jeito que entrou
Platônico e sem sal
Falsa recípocra cretina
Que faz meu peito se fechar
E ter medo de se abrir.

Hoje descubro sem surpresa
O que há tanto tempo mais temia
A musa antiga que escrevo não passa de uma meretriz;
Vestida de branco acorrenta-me
Forte mente
Depois solta-me
Brusca mente
E volta tudo de novo,
E de novo...



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