segunda-feira, 24 de maio de 2010

Sétima Chave


Ainda não o vi,

Nunca o senti,

Mas sinto sua falta,

Como esta manhã que não tem volta.


Conheço bem o seu retrato

Olhos de águas calmas,

De um dia gracioso e ocioso

Que vivem me levando para lá

E para cá... É sempre assim.


Nunca me esqueci do dia que o vi.

Dedilhava seu violão sem pressa,

Num terraço de cheiro tranquilo.


Nesse mesmo momento ele me levou para lá,

Eu estava só com ele,

E ele só comigo.


Foi surreal,

Sua música me acalmava,

Seu olhar me extasiava,

E aquele charme me fez lançar ao vento um suspiro que fugiu do assento,

Subiu ao céu,

Perfurou as nuvens,

E chegou à imensidão,

Onde não agüentou essa emoção e num segundo explodiu em uma linda canção.


Agora sei

Ele é uma porta que se trancou a sete chaves,

Seis delas foram entreabertas

Mas nenhuma delas o abriu totalmente.


Olho a fechadura,

Por trás da porta existe uma sala,

Nela vejo o céu e o inferno,

O azedume e o perfume,

Que lembra o amor e o pavor.


Está tudo escuro,

Desce um vermelho,

Ouço vozes estridentes,

Vêm gritos,

Vem choro,

Mostra-se em consolo.


Passa um azul,

Vêm murmúrios,

Terminam em sussurros,

Trazem soluços,

Foi o ciúme,

Ilusões que se foram ao meio,

Mas que ainda estão espalhadas;

È um pó

Que cobre como um nó.


Vem vindo vento,

Ta passando o tempo,

Que me arrasta,

Me apascenta.


Passa pião

Passa bola

Caí folha

Caí caneta

Caí os versos

Caí às letras


SHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH


Tudo branco

Tudo nada

Tudo seco

Tudo outrora


Sento-me ao chão

Tiro o arco-íris do meu bolso,

Quero colorir esta sala

Preencher o seu vazio por inteiro

Com um cheiro que ele nunca sentiu.


Ainda não o vi,

Nunca o senti,

Mas quero ser sua sétima chave

Como os sete dias de verão que ainda não vivi,

As sete letras de meu nome,

E o sétimo dia do mês que nasci,

Como no sétimo dia que tudo se fez,

Atravessarei os sete mares,

Nos sete cantos secretos do seu coração...

Se você quiser.



9 comentários:

  1. Poeminha? Isso é uma obra de arte! Eu sempre sonhara em escrever tamanhas obras como estas...

    ResponderExcluir
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  3. Seria um crime contra a arte poética se eu aqui tentasse postar palavras para definir a poesia.
    Toda a profundidade desse sentimento apenas nossos corações sabem, e não vale a pena permitir que o cérebro tente racionalizá-lo. Nem vale a pela, também, explicar ao mundo o que é só nosso.

    Que tua poesia continue emocionando e permitindo que todos se identifiquem a ela... Nós sabemos como ela começou :)

    ResponderExcluir